IRIBIRI – Press Rui Fontana Lopez

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Visão, 5 April 1982. “Um novo passo — O Cisne Negro e sua ‘rentrée’.”

Type: Primary Source / Documentation · Contemporary Press  
Date: 5 April 1982  
Context: Pre-premiere documentation of the development of IRIBIRI  
Location: São Paulo, Brazil  
Publication: Visão  
Author: Rui Fontana Lopes  
Role: Contemporary journalist / dance critic  
Status: Historical Record — documented


Record / Description

This article from Visão, dated 5 April 1982 and written by Rui Fontana Lopez, documents Grupo de Dança Cisne Negro during the preparation of its new long-form production, subsequently premiered as IRIBIRI in May 1982.

The article is particularly significant because it records the production before its premiere. It describes the artistic development of the company, the decision to undertake a new kind of long-form work based on an enredo and roteiro, the collaboration with theatre director Francisco Medeiros, the choreographic work of Sônia Mota, the planned visual conception by José Rubens Siqueira and the use of incidental music composed by Flávia Calabi.

Primary Source / Documentation

The article provides contemporary evidence of the conception and rehearsal of IRIBIRI before its public presentation. Hulda Bittencourt describes the production as a new artistic experience for the company, while Francisco Medeiros explains the intention to explore two interconnected worlds: everyday life and individualism on one side, and projections, desires and fantasies on the other.

The article records that the production was being rehearsed intensively and was expected to premiere in May. It also documents the company’s professional organisation, the working conditions of its dancers and technical personnel, its production difficulties, and its intention to tour with both its repertory and the new work after the São Paulo presentation.

Research / Development Context

The Visão article is an important source for reconstructing the development of IRIBIRI as an artistic experiment within the history of Grupo de Dança Cisne Negro. It shows that the work was conceived as a substantial change from the company’s established repertory format, which normally consisted of programmes containing different choreographies.

The article describes the intended structure as a ballet based on a script and plot occupying the duration of an entire performance. It also records the intended contrast between two musical languages: Baroque pieces and an incidental musical score by Flávia Calabi. These were to support the contrasting choreographic languages created by Sônia Mota, while José Rubens Siqueira was responsible for developing a visual conception capable of giving unity to the whole.

Artistic and Professional Context

The article places IRIBIRI within a period of artistic transformation for Grupo de Dança Cisne Negro. Hulda Bittencourt describes two principal moments of artistic transformation in the company’s development: the earlier introduction of work by important choreographers active in Brazil, and the new experiment then being rehearsed for premiere in May 1982.

The source also documents the company’s professional situation in the early 1980s. Although working professionally, the dancers did not receive conventional salaries and combined cost-of-living assistance, performance fees and box-office participation with teaching dance or other professional activities. Hulda Bittencourt describes the continuing effort required to finance productions through official funds, monetary donations and donations of materials for costumes and scenery.

Relationships and Collaborations

The Visão article records the specific 1982 collaboration between Grupo de Dança Cisne Negro, theatre director Francisco Medeiros, choreographer Sônia Mota, visual artist and script contributor José Rubens Siqueira, and composer Flávia Calabi in the development of the new production.

For Ricardo Viviani’s broader archive, these relationships form part of a longer professional network extending beyond IRIBIRI. Francisco Medeiros had previously directed Blue Danube. Sônia Mota had been a collaborator with Ricardo Viviani since Seis Ensaios e o Resto, presented at the São Paulo Bienal in 1979 in an international dance context that also included artists such as Ismael Ivo and Lia Rodrigues. Viviani subsequently collaborated with Mota on numerous productions, including her performance of Rubber Gloves, collaborations within programmes associated with Tanzprojekte Köln in the 1990s, and QuaaDriDuuo in 2007. Their professional relationship continued subsequently through interviews and other archival encounters.

José Rubens Siqueira had previously written the script for the Marzipan production of Seis Histórias de Amor, choreographed by Ricardo Viviani.

These later and earlier relationships are recorded here as archival context supplied through the ongoing reconstruction of Ricardo Viviani’s professional history. They should not be understood as claims made by the Visão article itself.

Contemporary Source

Publication: Visão
Date: 5 April 1982
Article: “Companhia — Um novo passo — O Cisne Negro e sua ‘rentrée’.”
Author: Rui Fontana Lopez

Transcription

The following transcription preserves the corrected transcription supplied for the archive. It is presented as a documentary transcription of the surviving article rather than as a modernised or rewritten version.

COMPANHIA

Um novo passo

O Cisne Negro e sua “rentrée”.

• O Grupo de Dança Cisne Negro surgiu em 1977, quando alguns alunos e professores do Estúdio de Ballet Cisne Negro juntaram-se aos recém-formados professores da Escola de Educação Física da USP para, sob a direção de Hulda Bittencourt, procurar um caminho original e criativo em dança.

Trabalhando em caráter profissional desde 1979, o Cisne Negro difere tanto dos tradicionais grupos estáveis de dança de São Paulo quanto dos pequenos, de existência efêmera.

Trata-se de uma companhia de dança de repertório, de tamanho reduzido, cujo principal objetivo é ampliar o público de balé mediante um trabalho permanente, à margem do mundo oficial da dança.

Enredo e roteiro — “Desde que começamos, tivemos dois momentos principais de transformação artística”, explicou Hulda Bittencourt ao crítico de dança Rui Fontana Lopez. “O primeiro foi há dois anos, quando Victor Navarro criou seu primeiro trabalho para o inaugurando a fase que trouxe para o nosso repertório balés assinados pelos mais importantes coreógrafos atividade no Brasil. O segundo estamos vivendo agora, ensaiando nosso novo espetáculo, que deve estrear em maio.”

fato, coreografias adaptadas à proposta artística do grupo e às potencialidades de seus dez bailarinos, o Cisne Negro dança: de Victor Navarro, Del verde al amarillo, Gadget, Elgar e Micaretas; de Luis Arieta, Primeira oração; de Sônia Mota, Gente, Sexteto para dez e Quem sabe um dia. Um repertório expressivo para uma companhia tão jovem.

“Agora, estávamos precisando realizar uma nova experiência, que desse ao grupo uma contribuição realmente original”, diz Hulda. A idéia: um balé baseado em roteiro com enredo, perfazendo todo o tempo de um espetáculo.

Francisco Medeiros, diretor teatral que acabava de voltar dos Estados Unidos, foi o escolhido para realizar junto com o Cisne Negro essa experiência.

Preparação entusiasmada — Por enquanto, Francisco Medeiros e a diretora do grupo são discretos ao falar do novo espetáculo. “É tudo bastante simples e, por isso mesmo, muito complexo”, diz Medeiros.

“Mas estamos trabalhando muito e com grande entusiasmo.”

Sem dizer exatamente qual será o roteiro, ele explica que a proposta da montagem é mostrar os dois mundos que as pessoas carregam dentro de si: o do cotidiano, do individualismo, e o das projeções, dos desejos fantasias.

“Queremos dançar esses dois universos e suas interseções.” Para isso, serão utilizadas duas linguagens musicais diversas — peças barrocas e uma partitura de música incidental composta por Flávia Calabi —, que apoiarão os contrastes coreográficos criados por Sônia Mota.

Ficará por conta de José Rubens Siqueira a missão de imaginar uma concepção visual que dê unidade ao conjunto.

Para um grupo acostumado a outro tipo de trabalho e cujo treino básico é feito com a técnica do balé clássico, é uma profunda mudança. E até provocou uma reação, conta Medeiros: “Ressabiados a princípio, após quase dois meses de ensaio eles começaram a perder as apreensões e a entregar-se com entusiasmo à criação do espetáculo.”

Uma luta que se amplia — Como trabalha e consegue sobreviver essa companhia de dança — extremamente bem organizada, com administração, gestão financeira e departamento promocional que funcionam às maravilhas? Para sua diretora, a resposta é simples: “Somos todos obstinados — ou talvez sejamos um pouco loucos: bailarinos, pessoal técnico e de apoio, eu”. Embora o grupo seja profissional, membros não recebem propriamente um salário — ajuda de custo, cachês e participação das rendas de bilheteria têm de ser reforçados com o trabalho como professores de dança ou em outras atividades profissionais.

Quanto à produção dos espetáculos, é uma luta à parte. Hulda explica: “Recorremos a todas as fontes; tudo o que se consegue é lucro: verbas oficiais, doações em dinheiro, doações em material para figurinos e cenários e assim por diante. O trabalho de produção aparece pouco, mas consome muito do nosso tempo e requer grande esforço”.

E em meio a todas essas atividades e preocupações que os bailarinos do Cisne Negro ensaiam um novo passo na história do grupo: até maio, trabalham diariamente na preparação do espetáculo, sempre começando com uma aula de balé clássico para aquecer a musculatura e aprimorar a técnica. Depois de mostrar o resultado desse esforço em São Paulo, o grupo viajará para mostrar seu repertório e o novo trabalho em cidades do interior paulista e nas capitais do Sul do país. Como de hábito, dançarão em teatros, clubes, escolas, espaços alternativos, levando sua arte ao maior número possível de pessoas.

Visão, 5 de abril de 1982

Contribution / Significance

This source is particularly important because it captures IRIBIRI before the premiere and therefore provides evidence of the production’s intentions, working process and artistic context that cannot be reconstructed solely from the finished production credits or the later review.

It also documents a significant moment in the development of Grupo de Dança Cisne Negro: the move from a repertory of separate choreographies towards an extended work combining roteiro, theatrical direction, choreography, visual conception and music within a single performance.

Assessment / Relevance

For Ricardo Viviani’s archive, the article provides important contextual evidence surrounding his participation in IRIBIRI. It places his work as a performer within the company’s wider artistic and professional transformation and establishes a contemporary chronology leading directly to the documented May 1982 premiere.

Archival Material

Source: Visão, 5 April 1982
Article: “Companhia — Um novo passo — O Cisne Negro e sua ‘rentrée’.”
Author: Rui Fontana Lopes
Document type: Contemporary press article / pre-premiere documentation
Related production: IRIBIRI

Relationship

This source is directly related to the IRIBIRI production record and documents the work during its preparation approximately one month before its documented premiere.

It should be read alongside the separate contemporary reception record IRIBIRI — Review Acacio R. Vallim Jr., dated 28 May 1982.

Keywords

Visão; Rui Fontana Lopes; IRIBIRI; Grupo de Dança Cisne Negro; Ricardo Viviani; Hulda Bittencourt; Francisco Medeiros; Sônia Mota; José Rubens Siqueira; Flávia Calabi; São Paulo; Brazilian dance; 1982; rehearsal; production development; contemporary press; dance theatre.


Internal Links

IRIBIRI

IRIBIRI — Review Acacio R. Vallim Jr.


Archival Note: This page forms part of an ongoing personal archive documenting Ricardo Viviani’s professional work and activities over more than four decades. Names and other personal information appear where relevant to the documented work or collaboration. If you believe that information concerning you has been published incorrectly or should be reconsidered, please contact me.